Onde realmente é seguro? Na rua ou em casa? Me perguntei inúmeras vezes sobre essa questão no sábado. Se você tá na rua está sujeito não voltar vivo para casa. Se você está em casa está sujeito ser surpreendido. Você está num fogo cruzado que não tem para onde correr. Só para o bar da esquina, onde um policial está tomando um sorvete. E ainda está sujeito alguém atirar no policial e a bala atravessar o seu chicabon e a azeitona atingir sua cabeça. Isso parece com os filmes do John Ford, não?
Que tal uma historinha?
John Wayne, aqui nesse texto seu nome é Carl Lancaster, entra num bar, onde todos estão sentados bêbados e jogando carta. Carl se aproxima do dono da espelunca e pergunta:
- Onde está o Pele Vermelha?
- Não sei do que você está falando. – responde o covarde bigodudo.
Carl tira seu revólver do coldre e aponta para o nariz medroso do dono do bar, que aponta para o chão de madeira maciça. Carl aponta para o chão e os bêbados ficam apavorados. Quando ele emite o primeiro som do cano de aço, ouvimos sons estranhos de longe. Carl para e se concentra no chão. Quando esse som se aproxima, Carl se joga no chão e um grupo de índios começa a atirar no bar. Garrafas quebradas, cadeiras e mesas furadas e um grande estrago no estabelecimento. O Pele Vermelha aproveita para fugir com seu bando. Carl se levanta e começa a trocar tiros com os índios que somem no crepúsculo. Carl vira-se para o dono do bar, agradece e vai embora. O prejudicado dono da espelunca apenas observa o xerife Carl ir embora.
Essa é apenas uma história do Rio de Janeura. Fico contente com Woody Allen rodar aqui, mas eu iria preferir Sam Peckimpah ou Sergio Leone. Ou trocaria de Woody. Ao invés, Allen seria o Woodpecker com seu pé-de-pano.
Voltando, o último sábado foi o mais “bizarro”, como disse a sogra do meu irmão, da minha vida. Voltava da farra às 6 da manhã de sexta pra sábado e vi as portas da minha casa abertas. Desesperado, corri pra ver se algo havia acontecido. E era meu pai fechando as portas e apagando as luzes. “Você que deixou isso tudo ligado e aberto?”, perguntou meu pai. “Cheguei agora, pai”. Os dois se observaram e franziram as sombracelhas entendendo a solução. Para entender vamos a…
…uma expressão do Fafas Houaiss: Encher a caveira; se embebedar, entornar o caneco, rastejar na loira, tomar um match point e, simplesmente, pessoas estranhas na sua casa que bebem e, irresponsavelmente, trazem outras pessoas estranhas para sua casa.
Foi assim, que eu acordei e não vi meu aparelho de DVD que não tinha uma semana que eu havia comprado. Revoltado, voltei pra cama e coloquei um disco dos Novos Baianos pra rolar no som. A boca estava seca com o número de cigarros que eu fumei e aquele gosto pesado de cerveja da noite passada. Acordei e almocei. Pensava em sair para arejar a cabeça. Comecei uma conversa com uma amiga pela internet e ela me diz: “a cidade está pegando fogo!”. Mas fogo mesmo, literalmente. Um Jason Strahan do morro carioca derrubou um helicóptero, os meus passos rotineiros para o curso de inglês estavam cercados e uma dúzia de índios se apoderara da cidade, mais uma vez. Vou ficar em casa, até segundo ordem. Mais tarde, conformado, untei uma travessa de alumínio com manteiga e coloquei pão de queijo no forno e fiquei o dia inteiro em casa.
De noite,enquanto assistia um filme no meu computador, minha mãe toca no meu ombro e diz: “apareceu seu DVD”. Meu Deus, David Blaine, quero um autógrafo. Não, era apenas um nordestino, mais magro que eu, com roupas de garçom e com consciência pesada (não sei se por levar um DVD ou comer mulher alheia). Minha mãe pegou a chave de casa da sua mão e “agradeceu” ao sujeito incorfomado com a sua falta de honestidade.
Agora eu fico rindo da situação. Mas este sábado eu não vou me esquecer. Tudo foi desviado. Minha rotina, meus objetos, minha vida. Ela esteve na mão de terceiros. Tudo dependeu deles e, graças a Deus, tudo ocorreu da forma que eu queria. Eu apenas fiquei quieto e agradeci. Afinal, o Rio de Janeura ficaria mais lindo sem mim, uma pessoa rabugenta e que pretendeu comer a mulher alheia três anos atrás. Eu sou uma pessoa rabugenta, que não traz solução e incapaz. Daqui há dez anos estarei aqui sentado nesse mesmo computador reclamando da vida e me fazendo de vítima. Em 28 anos de vida não resolvi nada, mas será que pessoas com mais de 60 fizeram algo pra mudar? Eu pelo menos tenho mais tempo.
E sim, sou carioca pra caralho! Sou mais do que muitas pessoas que dizem por aí. Amo minha cidade. Gostaria que na minha identidade estivesse CIDADE DA GUANABARA. Tanto amo que conheço todos os seus extremos e não fico com a minha bunda sentada olhando Orkut e criticando os outros. Sei onde a jeripoca pia.
Tanto amo, que ontem perdi meu ônibus antes da meia-noite. Porque reclama? Afinal, meu pai não me deu um carro de presente de dia das crianças, não é Daniel? Só ganhei um carro de plástico no natal de 1982. Enquanto eu ainda cagava nas calças você nem tinha nascido ainda.
Anyway, a Cidade das Olimpíadas não tem ônibus de madrugada. Quero saber como os gringos vão fazer pra visitar a “Apowtyosssy”. Alguma solução? Por favor, esse escritor aqui nunca traz solução nos seus textos. Alguém me ajuda?
Bem, me desculpem o desabafo e a confusão de quem não entendeu bulhufas (o texto desse escritor é confuso e ele não vai chegar a lugar nenhum). E aos palavrões, que não é comum nos textos.
Beijos.
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Saca só a fofura lançando seu segundo CD. Quer mais um motivo para não estar apaixonado por ela?
Junto com Peter Yorn, grande músico que fez trilha-sonora para o filme Eu, eu mesmo e Irene, Ela marca mais presença nesse cenário insosso onde as “estrelas” colocam silicone, são presas por estarem bêbadas ou fazendo programinhas para TV. Eis alguém que realmente está fazendo!
Longa vida para a linda aí abaixo.


